O ensino pluricultural poderia auxiliar no ensino da evolução?
Com base no ensaio “Ensino de evolução laico, mas pluricultural” de David Figueiredo de Almeida
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O ensino pluricultural poderia auxiliar no ensino da evolução?
Com base no ensaio “Ensino de evolução laico, mas pluricultural” de David Figueiredo de Almeida
Em busca das origens
Pode-se dizer que desde o princípio a humanidade se indaga sobre seu surgimento e o surgimento das coisas ao seu redor. O questionamento sobre nossas origens é parte intrínseca da cultura humana. Como tal, existe uma infinidade de crenças sobre a origem da humanidade e do mundo a nossa volta, para muito além daquelas narradas no Gênesis. Poderia ser a multiculturalidade uma aliada do ensino de evolução?
Estudos demonstram que mesmo entre os professores e o estudantes de licenciatura na área das Ciências Biológicas há muitas falhas no conhecimento evolutivo e problemáticas relacionadas às crenças teístas e o que é chamado de “Apartheid Cognitivo”. O termo explica o isolamento da compreensão científica, onde o conhecimento sobre a Evolução é compartimentado mentalmente sem substituir ou modificar a visão teísta do mundo. O conhecimento sobre evolução é resgatado para a utilização em provas, por exemplo, mas não é usado para uma compreensão mais profunda, afetando, futuramente, o ensino de evolução a outras pessoas.
A ideia é que um ensino laico, que é alheio às instituições religiosas, porém pluricultural, instigue a construção do pensamento crítico e reflexivo e de cidadãos mais tolerantes às diferenças. O conhecimento sobre a diversidade de crenças sobre a origem humana e da natureza pode auxiliar na formação de indivíduos mais aptos a compreender a “visão do outro” e a aceitar outras visões de mundo, inclusive as científicas, como a teoria da evolução. O ensino da evolução apenas se beneficia de um ensino pluricultural.
Fonte: Almeida, D.F. (2011) Ensino de evolução laico, mas pluricultural. Estação Científica (UNIFAP), 1(1):115-120.


