O Smilodon

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O Smilodon

Smilodon populator, ou tigre-dente-de-sabre, foi um dos maiores e mais robustos felídeos que já existiram, com uma constituição física mais adaptada à força bruta que à velocidade. Apesar do nome popular, não era um tigre, mas um felídeo da subfamília Machairodontinae, uma linhagem evolutiva distinta dos felinos atuais. Três espécies são conhecidas para o gênero SmilodonS. gracilis e S. fatalis, na América do Norte, e S. populator, a maior de todas, na América do Sul.

Possuía as patas dianteiras e o pescoço bastante musculosos, essenciais para agarrar e derrubar presas grandes, como preguiças-gigantes e mastodontes, em emboscadas. Seus dentes caninos, de até 28 cm, eram usados para mordidas precisas. Adultos pesavam em média entre 250 e 300 kg, mas alguns indivíduos poderiam atingir mais de 400 kg. Tinham cerca de 1,2 m de altura do ombro e mais de 2 m de comprimento. A forma e o tamanho dos ossos hióides da garganta, sugerem que o Smilodon talvez não rugisse, mas que ronronasse como os gatos, ainda que em tom mais grave.

Além dos grandes caninos em forma de sabre, o Smilodon possuía maior amplitude de mordida. Enquanto um leão moderno abre a boca em cerca de 65 graus, o Smilodon conseguia uma abertura de até 120 graus. Seu nome significa: “dente em forma de faca de dois gumes” (Smilodon) “que traz a devastação” (populator). Crânios fósseis de vários animais da megafauna apresentam perfurações que correspondem aos dentes de Smilodon, indicando que eram suas presas. Até mesmo outros indivíduos da mesma espécie apresentam tais perfurações, sugerindo lutas territoriais ou por parceiros.

Os primeiros fósseis da espécie foram descobertos pelo naturalista dinamarquês Peter Lund nas grutas de Lagoa Santa, em Minas Gerais, Brasil. Junto aos fósseis de Smilodon havia restos humanos, o que representou uma das primeiras evidências sobre a coexistência de humanos e a megafauna extinta. Smilodon populator é conhecido por abundantes fósseis de seu esqueleto, além de pegadas e das marcas deixadas por suas mordidas em restos de animais da megafauna. Alguns sítios importantes são Arroyo Seco e Campo Laborde, na Argentina, a Formação Sopas, no Uruguai, e as lagoas de piche de Inciarte, na Venezuela.

O Smilodon viveu entre 2,5 milhões e 10 mil anos durante o Pleistoceno, com ampla distribuição geográfica na América do Sul. Sua extinção ocorreu junto com a diminuição da megafauna e da disponibilidade de presas grandes, não tendo conseguido se adaptar à caça de presas menores e mais rápidas. Isto ocorreu devido ao fim da Era do Gelo e à competição com os primeiros grupos humanos da América do Sul.

Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil.

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