Por que existem primatas do bumbum colorido?
Os truques de química e física na evolução da cor dos macacos
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Por que existem primatas do bumbum colorido?
A paleta de cores dos seres vivos deriva de pigmentos químicos que absorvem certos comprimentos de onda. Mas, ao contrário da maioria das cores que vemos em animais, o azul é extremamente raro como pigmento. Produzir um pigmento azul é energeticamente custoso e nenhum mamífero é capaz de fazer isso. Quase nenhum animal, na verdade. O azul de borboletas, das araras e da buzanfa do macaco mandril não é pigmento e sim um truque de luz!
A borboleta Nessaea obrinus é uma raríssima exceção por ser um animal capaz de produzir o pigmento azul naturalmente. Como essa produção de pigmento azul é tão difícil para os animais, em geral a evolução “opta” por um atalho físico que cria uma cor estrutural. A cor estrutural, diferente da química, não pode ser extraída, já que é apenas um ilusão de luz.
Os mamíferos possuem dois tipos de pigmentos: a eumelanina e a feomelanina. Esses pigmentos são responsáveis pela coloração dos pelos e da pele, produzindo um gradiente de cores que varia entre tons de preto e branco, no caso da eumelanina, e entre tons amarelados e ruivos, no caso da feomelanina.
O azul das bundas (e, em alguns casos, de testículos) de macacos vem de um efeito óptico chamado dispersão coerente. E essa cor é gerada por uma organização precisa de fibras de colágeno na derme desses bumbuns. Essas microestruturas não refletem comprimentos de ondas luminosas longas, mas refletem intensamente ondas curtas (o azul).
Alguns exemplos icônicos são o mandril (Mandrillus sphinx), o macaco-vervet (Chlorocebus pygerythrus) e o macaco-lesula (Cercopithecus lomamiensis).
A seleção sexual atua sobre essas espécies de primatas. As fêmeas demonstram preferência por machos que exibem cores mais brilhantes. Essa preferência não é arbitrária. A intensidade do azul indica bons genes, resistência e capacidade superior de sobrevivência. Ao escolher esses parceiros as fêmeas garantem uma prole que herde essas características vantajosas que aumentam as chances de sobrevivência e sucesso reprodutivo.
Nos mandris a intensidade desse azul é um indicador direto dos níveis de testosterona e status social. É um sinal de saúde e força em um ambiente competitivo e hostil, muitas vezes evitando confrontos físicos desnecessários. A evolução das bundas azuis também só foi possível pelo fato de os primatas terem a capacidade de enxergar essa cor, pois se os primatas não fossem capazes de vê-las, as mutações que deram origem a essa cor teriam sido meras curiosidades genéticas sem utilidade que teriam desaparecido com o tempo.


