Se uma espécie evolui "demais" ela vira outra espécie?
Como as espécies surgem
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Se uma espécie evolui "demais" ela vira outra espécie?
Quanto uma população precisa mudar para a biologia dizer: "pronto, isso é uma nova espécie"?
A resposta não está no tamanho ou na aparência, mas no acúmulo invisível de mudanças no DNA. Mas primeiro, o que define uma espécie? Em biologia, uma espécie é um conjunto de organismos capazes de se cruzar livremente na natureza e gerar descendentes férteis. Mudar a aparência não é mudar de espécie. Um Pinscher e um Doberman parecem animais diferentes, mas fazem parte da mesma espécie. Por quê? Porque ainda trocam genes, geram filhos férteis e são geneticamente muito semelhantes. Aparência extrema é apenas variação. Especiação real exige uma mudança muito mais profunda. E em biologia, evolução não é 'ficar melhor', é apenas mudança genética ao longo do tempo.
Para nascer uma nova espécie, uma população precisa se isolar da original. Pela geografia: quando uma montanha, rio ou clima separa os grupos. Pelo comportamento/ecologia: quando parte do grupo passa a ocupar outro nicho, mudar a dieta ou o período de acasalamento na mesma região. O resultado é o mesmo, a troca de genes para de acontecer.
Uma espécie "vira" outra quando atinge o isolamento reprodutivo. Isso acontece quando as diferenças acumuladas alteram o comportamento, a anatomia, os genes ou os cromossomos a ponto de a troca de genes entre as populações ser impedida.
Como a transformação acontece? Em linha reta (anagênese): Uma linhagem acumula tantas diferenças ao longo do tempo que a espécie descendente passa a ser significativamente diferente dos seus ancestrais. Em ramificação (cladogênese): quando uma população se divide em duas ou mais linhagens isoladas que formam novas espécies, aumentando o número de ramos na árvore da vida.
Os ursos pardos e ursos polares representam um exemplo real na natureza. Há cerca de 500 mil anos, uma população de ursos pardos ficou isolada no gelo. Neste novo ambiente, a seleção natural favoreceu variações que permitiram sobreviver no gelo marinho, como pelagem branca para camuflagem, camadas espessas de gordura e adaptações para uma dieta carnívora baseada em focas. Eles evoluíram tanto que viraram uma nova espécie.
Mas eles não conseguem ter filhotes férteis? Em cativeiro, eles até conseguem gerar filhotes férteis (os híbridos Pizzlies), porque a separação genética é recente (500 mil anos é "ontem" na escala evolutiva). Mas na natureza permanecem como espécies diferentes porque há barreiras de habitat e comportamento. Em condições naturais, eles raramente se encontram e se acasalam, evoluindo, portanto, como linhagens separadas. Eles são a evidência viva de uma especiação acontecendo agora! A evolução é um processo contínuo e gradual.
Então, se uma espécie evolui "demais" ela vira outra? Sim! Quando as diferenças acumuladas causam um isolamento reprodutivo, que pode ser uma barreira tanto genética como ecológica que impede a troca d egenes, surge uma nova espécie. A espécie antiga não "subiu de nível" ela se ramificou e a natureza ganhou uma nova espécie!


