A Biologia Molecular vai clonar seres extintos?

Genômica, clonagem e desextinção

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A Biologia Molecular vai clonar seres extintos?

A Biologia Molecular tem avançado muito: somos capazes de clonar animais — como a ovelha Dolly —, sintetizar genomas inteiros e modificar características isoladas de um indivíduo, apenas manipulando o DNA. Então será possível recriarmos dinossauros, mamutes ou dodôs, e colocá-los em um zoológico pré-histórico? A resposta curta é: NÃO EXATAMENTE! E por mais fantástico que pudesse ser montar um velociraptor, ou ver uma preguiça-gigante pastando, trazer um animal extinto de volta a vida não é tão simples quanto parece.

O maior problema é justamente o DNA! (ou a ausência dele). Sem a "matéria prima", é impossível trabalhar. O DNA é uma molécula frágil, se degradando rapidamente após a morte; quem dirá ao longo de milhares ou milhões de anos! Em fósseis tão antigos como dos dinossauros, é impossível achar material biológico, menos ainda qualquer fragmento de DNA. Nossa última esperança poderia estar nos “fósseis congelados”, formados durante a última era do gelo, 20 mil anos atrás. E MESMO ASSIM, o DNA estará fragmentado, com lacunas e trechos inteiros perdidos; sem contar que a ausência de células vivas impede de fazer uma clonagem direta.

A melhor estratégia então, seria sequenciar o DNA encontrado do animal extinto (com todas suas falhas), comparar com espécies evolutivamente próximas e reconstituir essas falhas com o genoma de espécies atuais. Por fim, incorporar células da espécie atual com esta nova "colagem" de genomas, para assim serem usadas em técnicas de clonagem como transferência nuclear de células somáticas (SCNT). 

Mesmo com o DNA parcialmente reconstruído, não há garantia de que características fundamentais como comportamento, organização social e papel ecológico sejam recuperadas, pois esses aspectos dependem também do ambiente e da história evolutiva da espécie. O termo “desextinção” é impreciso, pois para que isso acontecesse uma população viável do organismo deveria se estabelecer, o que é difícil, já que o que obteríamos com a clonagem seria um único indivíduo moderno, geneticamente modificado, cheio de remendos no genoma, apenas com algumas características expressas da espécie extinta.

O sonho de John Hammond de criar dinossauros a partir de clonagem infelizmente é impossível! Mas isso não impede que reconheçamos o poder real da clonagem, como uma ferramenta importante na restauração de espécies funcionalmente extintas, como os rinocerontes brancos, na recuperação de populações com baixa diversidade genética, como as ararinhas azuis, e a reintrodução de organismos em ecossistemas degradados. No final, A VIDA ENCONTRA UM MEIO!

Em colaboração com bio.comunidade